quarta-feira, 21 de setembro de 2011
I Triatlo de Lisboa
Depois de uma pausa em termos competitivos em que aproveitei para treinar afincadamente a pensar no meu primeiro Triatlo Longo (que seria em Troia, mas que infelizmente não vai ser), chegava ao Triatlo de Lisboa com o intuito de bater o meu record pessoal. Após Aveiro, ainda fui a Abrantes com pouca motivação, e fiz a Corrida do Bodo (10 km) em Pombal, ambas numa altura que ainda estava em recuperação dos dois Triatlos Olímpicos muito intensos que tive na mesma semana.
O Triatlo começou um pouco mal, já que esperámos muito tempo para entrar no parque de transição. O parque era relativamente pequeno e tivemos que esperar que os participantes na prova lazer retirassem as suas bicicletas. Preferia ter preparado as coisas com maior tranquilidade, mas como era domingo, paciência.
O percurso era bem mais fácil que os anteriores Triatlos Olímpicos em que participei, à excepção da natação onde estaria sujeito a corrente e alguma ondulação.
Natação (1,5 km)
Tinha treinado bastante este segmento, mas as coisas não correram muito bem. Não apanhei muita confusão e consegui impor um nível confortável preocupando-me com a técnica. No entanto, estava com um problema: os óculos. Apesar de tentar ajustá-los antes da prova, a água entrava muito rapidamente e muitas vezes tinha que abrandar ou parar para os esvaziar. E, enquanto fazia isso nadadores mais lentos iam-me alcançando. Acabei por fazer a natação toda dentro de um grupo passando da frente para a cauda sempre que tirava água dos óculos. Apesar da corrente e pouca visibilidade penso que não cometi grandes erros de orientação, mas vi muita gente claramente fora da rota correcta. Acabei por fazer 34:27, um tempo aquém das expectativas que tinha. Melhorei cerca de 10 segundos nas séries de 100m na piscina e pensei que isso se iria reflectir na prova, mas nem por isso.
1ª Transição
Já no que diz respeito à transição, estou satisfeito com a melhoria. 1:18 (contando com um percurso a pé ainda grande e com o fato para tirar) foi um tempo bem bom. Tive calma para fazer tudo pela ordem correcta e para me começar a pedalar. Pelo meio vi que o meu amigo Jorge Carneiro já tinha saído e que tinha que ir buscá-lo, continuando o duelo que temos mantido ao longo destas provas (ter que competir com alguém mesmo cá para trás, acaba por ser moralizador).
Ciclismo (40 km)
O ciclismo começou um pouco lento. Demorei a colocar os pés dentro dos sapatos e fui ultrapassado por um ciclista do Alhandra e alcançado por outro. Este último era bastante forte e acabei por aproveitar a boleia e criamos um grupo de três. Como eram da mesma equipa, deixei-os fazer o trabalho inicial, mas após o retorno também fui para a frente e o primeiro acabou por descolar. Voltamos a ficar dois, sendo que ele trabalhava um pouco mais do que eu, confesso.
Durante toda a prova soprou um vento muito forte, com algumas variações de intensidade. O vento era lateral, na maior parte do percurso, mas em algumas zonas batia forte de frente ou empurrava-nos pelas costas. Em termos de vento era um percurso engraçado, pois tanto ficávamos parados praticamente como atingíamos grandes velocidades.
Na segunda volta fomos apanhados por um grupo maior e tentámos seguir na roda. Eu acabei por ceder antes do ciclista do Alhandra, já quase no retorno e acabei por ficar sozinho. Entretanto segui com um novo grupo, apanhamos o meu companheiro anterior e depois foi ele a descolar. Num dos retornos acabei por perder o contacto e a partir daí fiz grande parte do percurso sozinho. Com isso a média baixou um pouco, dos 34 km/h para os 33 km/h. Nas zonas em que o vento batia de frente descia até aos 27 km/h e quando estava a favor chegava a andar a 38 km/h.
Após o retorno da penúltima volta fui apanhado por um ciclista do Sporting ou do Golegã (Não consegui perceber) que mesmo sozinho voava bem perto dos 40 km/h. Segui na roda, sem forças para ajudar e chegámos a ultrapassar um grupo sozinhos, sem que ninguém conseguisse colar. No entanto, para meu mal, estava a levar uma volta de avanço, e aquela companhia acabou no final da volta. Com isso, fiquei extremamente perto do Jorge Carneiro. Mesmo sozinho, consigo recuperar rapidamente os 30 segundos que me separam dele e lanço um ataque sem que ele apercebesse (nunca me tinha sentido tanto um ciclista a sério como neste ataque) e não deixo que ele apanhe a minha roda. Sabia que era mais forte do que eu na corrida e que não ia ser grande ajuda no ciclismo, por isso tinha que atacar ali.
O problema foi que no retorno seguinte vi que tinha sido alcançado por um grupo e que pouco depois eu seria o próximo. Não insisti no caminho a solo e fui esperando que eles chegassem. Acabaram por ser só dois ciclistas (um dos quais o meu primeiro companheiro do Alhandra) até que o Jorge fez um forcing para encostar, e assim passámos a ser quatro.
Estavamos a rolar a uma boa velocidade até que furo o pneu, praticamente a 3 km da transição. A estrada era péssima, cheia de irregularidades de piso e buracos e além de mim, muita gente furou. Também notei que perdia algum controlo na bicicleta e que não podia andar muito depressa. Acabei por descolar e fazer o regresso do percurso a 20 km/h. Fui sendo ultrapassado e ainda parei para ver se estava mais alguma coisa mal com a roda já que andava constantemente a derrapar.
Devo ter perdido uns 3 minutos com a brincadeira, mas mesmo assim 1:16:14 não é um tempo muito mau, correspondendo a 31,5 km/h de média.
2ª Transição
Esta foi um pouco lenta. A bicicleta arrastava-se (vi que o pneu se tinha soltado, inclusivamente) e aproveitei para beber bastante a pensar na corrida. 1:11 na segunda transição é um pouco alto, mas também nada que me envergonhe.
Corrida (10 km)
Desde o início senti-me bastante à vontade, talvez porque os últimos quilómetros de bicicleta tenham sido feitos a passear. Ao início estava um bocado longe do meu melhor tempo, mas fui ganhando confiança. Na primeira volta senti os músculos da coxa no limiar da cãibra, mas com o tempo e com a água que deitei por cima começaram a desaparecer.
Fui olhando para o relógio e tentando fazer voltas de 12 minutos, que permitiriam fazer um tempo próximo do meu record. E assim foi, mantive um ritmo contínuo, a dar o que podia e no último quilómetro consegui impor um ritmo mais forte para acabar em 47:21, o meu melhor tempo em 10 km de corrida num triatlo.
Conclusão
Acabei a prova em 2:40:34, menos um minuto que em Pontevedra e com um furo incluído. Uma boa prova, num excelente local para a prática do triatlo à excepção do piso no ciclismo. Tenho pena é de duas coisas que não são tão normais no triatlo cá em Portugal e que merecem os seguintes reparos.
Público: Nunca vi um público tão indisciplinado. Ninguém batia palmas além dos familiares e amigos. Tudo bem, não eram obrigados, mas andar no meio da corrida sem olhar é uma falta de respeito para quem está ali a correr. Fartei-me de gritar e por pouco não ia contra algumas pessoas. Havia muito espaço para passear, porque tinham que ocupar a nossa corrida?
Banhos: Até esta prova sempre pude tomar banho no final. É algo que dá jeito para atletas como nós que vimos do norte e que não gostamos de conduzir 300 km suados e com restos de sal e resíduos do Rio Tejo no corpo e na roupa. Já tomei banhos de água fria, já tomei banhos em instalações que não eram as oficiais e sempre foram simpáticos permitindo algo tão simples e tão humano. Desta vez, não. Só bastante depois da prova soubemos que o banho seria nas instalações de uma equipa conhecida por se manter na primeira divisão por decisões da secretaria. Chegámos lá e ninguém sabia. Na piscina diziam que era no pavilhão, no pavilhão diziam que era no campo de treinos. O campo de treinos estava fechado. Dpeois alguém disse que era no balneário dos árbitros de futebol e, ao fim de uma hora nada. Até que o Jorge se lembrou de pedir à equipa do Modicus, que ia jogar futsal no pavilhão, para usar o seu balneário enquanto jogavam. E, a solidariedade nortenha veio logo ao de cima: Podem tomar à vontade. Logo aí se viu a diferença entre os dois clubes.
Só que, o segurança do pavilhão disse logo que não podíamos, e que ali não entrávamos. Pelo meio de alguma discussão, o homem lá foi falar com um superior que nos abriu finalmente um balneário extra que existia do outro lado do pavilhão e pudemos tomar banho ao fim de quase duas horas. Sinceramente não percebo este tratamento de um clube que se diz grande e que se comprometeu a ceder instalações para os triatletas tomarem banho. É que nem todos são de Lisboa e podem ir a casa tomar banho. Uma situação a rever.
PS: Um obrigado à Leonor pelas excelentes fotos que tirou.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
V Triatlo de Aveiro
No entanto, após a jornada épica de Pontevedra fiquei cheio de vontade de estender um pouco mais o meu pico de forma. Seria muito difícil melhorar o tempo da prova anterior, mas seria um bom teste à minha resistência e uma forma de me vingar do ano anterior. Além disso, comecei a sentir bastante prazer a fazer esta distância.
O ano passado foi bastante duro, como atesta a crónica, e os tempos foram os seguintes:
Natação: 32:46
Ciclismo: 1:26:27
Atletismo: 52:54
Total: 2:55:09
Vamos lá ver como foi este ano, Tinha experiência na distância mas o desgaste de uma prova igual uma semana antes podia ter consequências inimagináveis.
Natação (1.500m)
Uma vez mais a qualidade da água deixou a desejar. O lodo levantou e com ele o mau cheiro, o moliço e outras coisas mais. A Leonor chegou a ver um peixe morto a boiar, não sei se resultado da má qualidade da água ou de uma sardinhada de S. João. A Federação bem evitou que os nadadores aquecessem junto à partida, pois já sabia o que ali havia, mas mesmo assim cheirava muito mal. É um pouco frustrante que no melhor local para se nadar num triatlo em Portugal a água esteja assim. É um cenário espectacular e, caso a largura dos canais esteja dentro dos parâmetros, daria uma excelente prova internacional. Só me dava vontade de fechar o canal algures, retirar a água e o lodo todo e depois voltar a enchê-lo com água limpa. Era mais barato e mais útil que a terceira auto-estrada Porto - Lisboa.
Mas adiante... Senti-me bem na natação, lancei-me para a frente, sem levar porrada mas apanhando bastante trânsito. Decidi chegar-me para a direita de modo a poder ultrapassar mais nadadores e consegui. No entanto a água teimava a entrar-me nos óculos e com a salitre (e sabe-se lá mais o quê) comecei a sentir-me bastante desconfortável. Esvaziando algumas vezes as lentes e perdendo algum tempo, acabei por cruzar a bóia de retorno com cerca de 15 minutos, o que não era nada mau, apesar de tudo.
No regresso, apanhei um grande grupo, numa velocidade continua e ocupando o canal a quase toda a largura. Tornava-se difícil ultrapassar. No meio do grupo existia um nadador que fez quase todo o percurso em bruços e, dada a forma de bater as pernas neste estilo tornava-se dificil ultrapassá-lo sem levar umas patadas. E foi aí que levei mais porrada. De qualquer forma parabéns, porque mesmo em bruços não nadava muito mais devagar que eu em crol.
Por fim, saio da água com 33 minutos, o que revela uma velocidade inferior ao primeiro terço, reflectindo o andamento do grupo em que estava. De qualquer forma foi um tempo semelhante ao do ano anterior, e correu bem melhor que todos os segmentos de natação neste ano, à excepção de Pontevedra, onde fiz 29 com fato mas perdi três minutos na transição. Nesta prova, a transição, e como não tinha fato, foi rapidíssima, para mim. Talvez a mais rápida até hoje, senti-me bastante orgulhoso com os 57 segundos.
Ciclismo (40,8 km)
O ano passado fiquei surpreendido com a dureza e a sinuosidade do percurso. Este ano estava avisado e iria dar o possível para não me deixar abater como o ano passado. E desde o início senti-me bem. Não encontrei grandes grupos já que o elástico quebrava muitas vezes nas subidas e nas curvas, tanto para a frente como para trás. Tentei não sair muito, dentro do possível, do meu patamar confortável e volta após volta conseguia manter a média acima dos 31 km/h. Sabia que tinha o Jorge Carneiro atrás de mim e ia controlando a vantagem, vendo-a crescer nas últimas voltas. No final sentia-me um pouco desgastado mas muito longe do estouro do ano anterior. E com um tempo muito bom, atendendo ao meu nível: 1:17:03, a melhor marca em ciclismo num triatlo olímpico (menos um minuto do que Pontevedra e menos 9:20 (!) que no ano anterior). Uma média de 31,7 km/h, que revela enormes progressos neste sector.
A transição foi um pouco mais lenta, por culpa das meias. Não quis arriscar ficar com bolhas nos pés, apesar destas sapatilhas nunca me terem deixado ficar mal. 1:15 não é mau de todo, e tirei mais um minuto ao tempo de Pontevedra. Tudo somado, acabei por sair do Parque de Transição com um tempo ligeiramente melhor do que Pontevedra, pelo que se fizesse uma corrida semelhante o recorde podia ser batido. Quanto à melhoria em relação ao ano anterior estava quase garantida. Bastava fazer os 10 km finais em menos de uma hora. Também saí com alguma vantagem em relação ao Jorge, mas sabia que se ele não estourasse na corrida passaria por mim mais cedo ou mais tarde.
Corrida (10 km)
Senti-me bem no início e consegui impor um bom ritmo e passar alguns corredores enquanto era dobrado por outros. A primeira volta foi feita sem sofrimento e na segunda também me senti bem. O recorde da semana anterior poderia estar perto de ser batido. No entanto, nas duas últimas voltas (eram quatro), comecei a sentir bastante o desgaste. Fui sentindo as pernas cada vez mais presas. No final da terceira volta fui passado pelo Jorge e na altura desmoralizei um pouco. Fui com o meu ritmo a descer e a ser ultrapassado por mais atletas. Não dava para mais. Não foi fraqueza, alimentei-me bem, era apenas o sinal de cansaço no final de duas provas desgastantes. Comecei a perceber que o recorde começava a ficar longe mas ia ser na mesma uma excelente prova. Acabei o ciclismo com 51:23, mais dois minutos que Pontevedra e menos um minuto que no ano passado.
Resultado Final
O recorde não foi batido e, embora no final do ciclismo tenha acreditado ser possível, não era algo que pensasse à partida. Fui para esta prova divertir-me e tirar as teimas relativamente ao ano anterior. Fiz 2:43:49, apenas mais 1:17 que Pontevedra. Há uma semana o meu melhor tempo era 2:50:52 (Setúbal) e há um ano tinha feito 2:55:09, ou seja, mais 11:20. Mesmo este ano, em Montemor, fiz 2:58:21. Sinto que subi um degrau, passei claramente de tempos acima das 2h:50m para tempos abaixo das 2h45m. Agora resta continuar a treinar para passar à casa das 2h30m.
Uma palavra especial para a Leonor que me deu imensa força na natação, acompanhando-me durante todo o percurso e tirando todas estas fantásticas fotos.
Resultados aqui.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Triatlo de Pontevedra - Campeonato Europeu
Uau, não podia falhar!
Mas, espera lá, nunca fui convocado para a selecção, por isso não vou poder ir.
Esta última frase seria verdadeira se estivéssemos a falar de outro desporto qualquer. Mas isto é o triatlo, um desporto em que qualquer um pode participar num europeu e num mundial, nos chamados Grupos de Idade... Até um manco como eu!
Para quem não sabe, para além das elites existe um Europeu para escalões etários de 5 anos e em cada um destes grupos, cada país pode inscrever 20 triatletas. A prova é em tudo semelhante à principal, com pequenas diferenças quase imperceptíveis.
Acabado de fazer 30 anos, o meu Grupo de Idade era dos 30 aos 34 anos, o segundo a partir, às 8:05 da manhã (espanholas). Os meus objectivos não podiam ser muito altos. O primeiro seria bater o meu melhor tempo, em Setúbal no ano passado, o segundo seria não ser o último no meu GI, o terceiro não ser o pior português do meu GI e o quarto ficar à frente do meu amigo Jorge Carneiro.
No dia da prova, apesar de estarmos à mesma longitude do Porto, tínhamos uma hora de diferença, pelo que iríamos partir às 7 da manhã portuguesas e tivemos que acordar às 5:30. A essa hora só estavam nas ruas pessoas a acabar uma grande noitada e senhores com um fato de borracha às costas. Um cenário, no mínimo, estranho. Chegámos ao local, pusemos as últimas coisas no sítio e toca a ir para a água.
Natação (1.500m)
Na véspera cheguei a pensar que não seria necessário usar fato, tal o calor que se sentia (ver foto), mas no dia da prova a temperatura estava a 18ºC (normal, às 6 e tal da manhã portuguesas). O fato não me dava muita confiança, já que em todos os triatlos sprint deste ano tiinha feito tempos acima dos 16 minutos. Sentia que a minha técnica era prejudicada e que a braçada não me saía bem.
Desta vez tomei uma opção diferente. Puxei ao máximo as mangas para trás. E não podia ser melhor opção, como veremos. A minha série, 30-34 foi a segunda a partir, 5 minutos após os grupos mais jovens, e incluía 42 triatletas. Era desde logo uma vantagem, nada de confusão como acontece sempre em partidas com mais de 400 participantes como aquelas a que estou habituado. Outra vantagem é que, ao contrário das elites, partíamos dentro de água, o que a avaliar pelo salto que dei da plataforma no dia anterior quando fazia o reconhecimento das águas locais me beneficiava bastante.
O tiro de partida deu-se a foi a saída mais tranquila desde que participo em provas de triatlo, os mais fortes foram à vida deles, os médios também e eu também fui andando e até deixei alguns nadadores para trás. Senti grande facilidade em fazer respiração a cada três braçadas alternando com duas a duas em alturas que o fôlego ou a orientação não estavam a funcionar. Acabei por alcançar um grupo de dois e mantive um nadador do lado direito e outro do lado esquerdo, assim, se ali memantivesse passaria bem por todas as bóias. E assim foi até à outra ponta do percurso (que era uma ida e volta de 750m para cada lado). Foi nesse local que começámos a ser ultrapassados pelos primeiros da série que partira 5 minutos depois. Na altura olhei para o relógio e andava nos 14 minutos e qualquer coisa, o que era um bom tempo. Quando virámos a bóia de regresso coloquei-me nos pés de um nadador do meu grupo experimentando o seu "cone de aspiração" e a coisa também funcionou. Mantive-me aí, nadando com facilidade e tentando puxar o máximo de água possível para trás. A certa altura tentei seguir os pés de um nadador mais forte do grupo que partira depois, mas aí já era muita fruta para mim. Continuei lado a lado com o meu colega anterior, mas a ganhar algum terreno e cheguei às escadas da saída com bastante à vontade. Saí como se apenas tivesse feito um pequeno aquecimento e quando estou a subir as escadas, pensei que devia estar próximo dos 32 minutos que tinha feito em Aveiro na minha melhor natação em triatlos olímpicos. Mas não, olho para relógio e estava nos 29:30, tendo chegado ao Parque de Transição com 29:43, com quatro atletas do meu grupo de idade atrás e outro pouco à minha frente. A transição foi demasiado longa, o parque era muito grande mas 3 minutos é demasiado, tendo em conta que os primeiros demoraram 1:50.
Ciclismo
Foto: João Correia
O ciclismo nesta prova era durinho e eu já sabia. Duas voltas em que metade era sempre a subir, um retorno no topo e, como é óbvio, outra metade sempre a descer. Andar na roda era proibido e todos os ciclistas cumpriam esta regra.
Motivado com a boa natação e sem qualquer ponta de cansaço comecei a puxar bastante mantendo em linha de vista colegas de grupo etário. Mantinha-me igualmente perto de bons nadadores do Grupo de Idade anterior que tinham o mesmo rendimento que eu na bicicleta. Entre esses destaco um português que me acompanhou toda a prova, umas vezes à frente e outras atrás. Fiz algumas ultrapassagens na primeira subida mas fui mais vezes ultrapassado, sobretudo por ciclistas em bicicletas de contra-relógio. Mantive um bom ritmo sempre em pedaleira grande, à excepção do quilómetro mais duro, feito a 8%.
Mesmo antes do retorno encontro o Jorge Carneiro junto do lado contrário, estava a um minuto dele e tinha partido 5 minutos antes. Tinha 4 de vantagem e com um forcing podia encontrá-lo. O pior é que a seguir vinha uma descida longa e eu sou um pouco medricas. De qualquer forma desci sempre acima dos 50 km/h, tendo passado os 60 km/h nalgumas zonas mais inclinadas. De vez em quando dava um cheirinho ao travao para me sentir mais seguro. Aproveitei para beber e engolir um pacote de gel, que foi suficiente para o resto da prova. Não perdi muito tempo mas também não ultrapassei ninguém. Cá em baixo, comecei a sentir o apoio do público, com bandeiras de Portugal e a gritar por mim. Foi aí que senti, pela primeira vez, que estava numa prova diferente.
Nova subida e agora podia ultrapassar mais triatletas, dos escalões mais velhos e dos femininos que iniciavam a primeira volta. Pouco depois alcançava o Jorge. Ainda perguntei o que estava a fazer ali e ele disse para eu ir à minha vida. E fui, continuando a ganhar-lhe tempo. Voltei a descer, hidratando-me e sendo ultrapassado por italianos e suiços de 40 e 50 anos que andavam a 70 ou 80 km/h como se não fosse nada. Cá em baixo, novamente o público, tempo para me descalçar e entrada no parque de transição. O tempo final 1:18:07 corresponde a uma média acima dos 30 km/h, o que para mim é bastante bom num percurso sem grupos, bem duro, mas também com descidas rápidas. Mesmo assim apenas fui melhor que três outros ciclistas, pelo que fiz melhor na natação que no ciclismo (pela primeira vez?). Por fim, mais uma transição demorada. Aproveitei para beber bastante porque a água geralmente não me cai bem na corrida e para calçar meias de modo a prevenir as bolhas. O resultado foram 2:23, a pior das transições do meu Grupo de Idade. E quando eu saía do parque estava o Jorge a entrar, o que significava que tinha perdido algum tempo para ele.
Corrida
Foto: Pedro Gomes
A corrida desta prova foi o melhor momento da minha "carreira" desportiva. Já participei em provas de basquetebol, andebol, ciclismo, futsal, berlinde e levantamento do copo e nunca tive esta sensação. Correr pelo meio da multidão que gritava por Portugal e pelo meu nome é espectacular. E todos os portugueses que lá estavam foram fantásticos, incluindo alguns triatletas de renome.
O percurso não era nada fácil, uma ligação algo longa do parque até à primeira volta, uma subida durinha longa e duas pequenas subidas mais para o final. Ao todo, quatro voltas mais a dita ligação.
Não me senti muito mal após a transição, lancei um ritmo confortável e, ao sair do parque vi que se acabasse a prova em menos de 58 minutos batia o meu recorde pessoal. Tentei, por isso, apontar para algo próximo dos 5 min/km para fazer uma boa marca, tentando também defender-me do Jorge que vinha atrás de mim. Não sabia em que lugar estava no meu grupo de idade, e como os dorsais estavam virados para a frente era difícil procurar adversários directos. Na primeira subida comecei a sentir alguma dor de burro, pelo que depois a descer tentei poupar-me um pouco. O Jorge também cedo passou por mim, a grande velocidade e ao ritmo que ia tornava-se agora difícil manter a vantagem. Dei-lhe força para uma boa corrida. Mas não só a ele, porque continuamente cruzava-me com portugueses transmitindo-lhes força e sendo correspondido. Foi um excelente espírito de grupo naqueles momentos.
No fim da primeira volta vi que estava bem dentro dos 12:30, ou seja, abaixo dos cinco minutos por quilómetro. Na segunda volta também reparei que um austríaco do meu grupo de idade estava cerca de 200 metros à frente e que podia ganhar um lugar. Mais tarde, na subida, em lugar da dor de burro começava a sentir cãibras, mas a multidão que estava no topo era o meu doping, quando lá chegava e gritavam por mim, a sensação de cãibra passava. O mesmo aconteceu na terceira volta. Mas o austríaco mantinha-se teimosamente à mesma distância.
Foto: Pedro Gomes
Na quarta volta esqueci as dores, o público empurrava-me literalmente e sabia que estava perto de um tempo a rondar as duas horas e 45 minutos. Mas ainda foi melhor. Fiz um quilómetro final forte, entrei na pista de atletismo, o maldito austríaco lá se mantinha, dou a meia volta da praxe e termino com 2:42:32. Ainda melhor do que fui calculando ao longo do percurso. O tempo total de corrida foi de 49:19 e pior que eu apenas o Pedro Brandão que ultrapassei, sem saber que era do meu grupo na terceira volta. Apesar de ser um tempo pior que os restantes atletas, foi o melhor até agora no atletismo de um triatlo desta distância. Por sinal, o percurso até tinha mais de 10 km, pelo que consegui superar largamente o 5 min/km.
Resultado final
Quase todos os objectivos foram cumpridos. Tirei mais de oito minutos ao meu melhor tempo, fiquei em 39º em 43 à partida (2 desistiram) e ficou atrás de mim um português e... o austríaco, que afinal estava prestes a levar uma volta de avanço. Acabei por fazer mais 42 segundos que o meu amigo Jorge Carneiro, por isso esse objectivo ficou aquém. Ele fez uma corrida estrondosa, vindo de trás e ainda ganhando 5 minutos, por isso bem que mereceu!
Foi uma prova memorável em todos os aspectos e, mais uma vez, obrigado a todos os triatletas e espectadores que proporcionaram o momento mais alto da minha vida desportiva!
Resultados aqui.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
III Triatlo Cidade de Setúbal
terça-feira, 31 de agosto de 2010
VI Triatlo de Raiva
Natação (650m)
Houve uma pequena alteração de modo a reduzir a distância. Pelos vistos eram 650m mas pouco ou nenhuma diferença notei. Voltei a sentir-me bastante à vontade, boa orientação e pouca porrada. Tive um pequeno engano na forma como abordei a aproximação à penúltima bóia (pensava ser a última) mas não tive grande perda de tempo por causa disso. Ainda forcei no final mas não consegui ganhar lugares. O tempo final foi 15:39, o que me deixou satisfeito, tendo em conta que não tinha fato.
Ciclismo (16km)
Já conhecia grande parte do percurso, que fiz o ano passado. Por isso, decidi ir forte logo no início e nas primeiras rampas (primeiro em paralelo e depois em asfalto até à primeira rotunda) passei vários ciclistas que eram mais fortes do que eu na natação. No entanto, a subida nunca mais acabava e comecei a perder fôlego. Comecei a ser ultrapassado e não os acompanhava. O último quilómetro da subida foi bastante sofrido, até por estar a desmoralizar um pouco.
A descida que se seguiu soube bem para recuperar fôlegos mas acabei por perder mais alguns lugares. Na subida seguinte voltei a alcançar quem me passou na descida. E o resto da prova de ciclismo foi assim. Passava os meus colegas de grupo nas subidas e era ultrapassado nas descidas. Como o percurso acabava a descer, chegaram à minha frente. O tempo final não foi bom: 40:51 incluindo as transições, o que é claramente abaixo dos habituais 30 km/h. Uma má prestação mesmo tendo em conta o terreno irregular.
Corrida (4,2 km)
Fiz a corrida de trás para a frente, ganhando lugares atrás de lugares, poucos me ultrapassavam e consegui imprimir um bom ritmo apesar das subidas algo duras. Fiz 18:39, ou seja, uma média de 4:15 minutos por quilómetro num percurso difícil.
Resultado Final
O tempo final oficial foi 1:15:10 tendo ficado em 66º em 101 participantes, ou seja, a 2/3 da tabela. Não foi um grande resultou, mas senti-me melhor que em Aveiro. A bicicleta foi claramente o sector que mais me penalizou, uma vez mais. A minha modalidade favorita é a que me está a correr pior. É a piada de treinar triatlo. Umas modalidades melhoram e outras pioram e temos que ir trabalhando todas para termos melhores resultados. Se só nadasse, só andasse de bicicleta ou só corresse a minha vida seria muito mais monótona.
Por fim, uma referência à organização que foi espectacular, muito graças ao empenho dos agentes locais, sobretudo o Movimento Raiva com Identidade. Durante o ciclismo sempre tive a companhia de batedores da GNR ou de um grupo de motards locais, tudo bem sinalizado, e no final quando levantei os pertences no segundo parque de transição estava tudo direitinho distribuído por clubes, algo que nem na Taça de Portugal acontece. Uma vez mais as pessoas do norte mostraram de que material são feitas. Parabéns a todos.
Por fim, o título colectivo. Sagrámo-nos campeões regionais por equipas e o Gil e o Tiago foram 1º e 2º no campeonato regional. Na altura pensei ter fechado a equipa em 3º lugar... mas fui o 4º. Paciência! Até à Póvoa!
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
IV Triatlo de Aveiro
O Triatlo de Aveiro marcou a minha estreia na distância olímpica. No entanto, a preparação deste triatlo ficou marcada, por um lado, pela morte do meu avô, pouco mais de uma semana antes (curiosamente ele natural de Cacia, Aveiro) e também pelos ensaios de Feupville. Se a segunda questão não fez com que perdesse treinos, no primeiro caso isso aconteceu, por razões óbvias, e logo na semana que marcava o topo da preparação. De qualquer forma nem um nem outro caso seriam desculpas para uma má prestação.
Pelo meio encontro o Rui Pena e o Mark Velhote, que se encontra prestes a iniciar-se nestas lides. Aliás, todas as fotos aqui presentes são do Mark, que quis perceber como funcionam estas coisas vendo do lado de fora. Ah, e gostei do pormenor de termos o nosso nome no Parque de Transição, até parece que somos gente importante.
Natação (1500m)
A água parecia estar limpa. Viam-se peixes e nem pareciam ser taínhas. Até que, de repente, entram 200 mamíferos dentro de água revolvendo todo o lodo acumulado no fundo da Ria de Aveiro. E por baixo do lodo deviam estar acumuladas milhões e estreptococos, enterococos, coliformes fecais, E. coli, para além de tudo o que é Nitratos, Mercúrio, Sulfatos e mais o que quer que seja. De repente a água limpa ficou castanha e o cheiro ficou semelhante ao de uma suinicultura junto ao Rio Lis.
Depois, já não bastava estarmos a nadar pelo meio de todos os tipos de poluição que ainda nos mandaram sair da água e voltar a entrar. Ainda tive a esperança que fossem analisar a água e com o resultado mandar-nos para as piscinas municipais, mas não era mesmo porque havia gente agarrada as boias e à linha da partida.
De qualquer forma isto é um caso de saúde pública, acredito que a água não esteja muito poluída quando fazem as análises,mas com esta gente toda a levantar o lodo, não acredito que a Ria esteja em condições para receber uma prova.
Esquecendo tudo isso, e assegurando que sobrevivi e que não tenho (para já) qualquer sequela de tamanha aventura, passemos então à prova.
Curiosamente, apesar de ser um canal estreito, só sofri um pouco a porrada nos momentos iniciais antes do estreitamento. Descobri que a porrada inicial está muito ligada a dificuldades de orientação e como ali não há problemas os ânimos estavam bem mais calmos. Gostei também da força do público, que estava a poucos metros de distância, algo nada habitual nos segmentos de natação.
Correu-me particularmente bem este percurso. Eram 1.500 metros, algo que nunca tinha feito em competição e por isso não forcei muito. Além disso, ia sem fato o que tornava a coisa teoricamente mais difícil. Mas afinal não. Fiz logo de início respiração a cada três braçadas, atingi um bom ritmo sem querer forçar muito e nos momentos finais do percurso sentia-me tão fresco como numa prova de 750 metros. O tempo final espelha isso: 32:46, o que, tendo em conta que em Peniche e com fato tinha feito 16:02, revela que subi bastante na natação e que me dei muito bem com a nova distância.
Ciclismo (40,8km)
A transição foi feita com mais calma que o costume (talvez demasiada, até) com um tempo de 1:25, ou seja, quase tanto como o que demoro com fato. As coisas devem começar a correr melhor quando chegarem as sapatilhas de triatlo que encomendei, mas pelo que parece na loja estão com problemas a processar o pedido e ao fim de 2 meses nada.
A prova, foi do pior. A fazer lembrar Matosinhos, sem quedas mas com poucas pernas. Não consegui integrar nenhum grupo e passei poucos ciclistas. Era muitas vezes ultrapassado e faltavam-me sempre as pernas. Fiz, por isso, grande parte do percurso sozinho ou com mais um ou outro colega.
Penso que, para além da minha falta de pernas, este percurso correu mal por duas outras razões.
Em primeiro lugar, não olhei para a altimetria, pensando que Aveiro era uma cidade completamente plano. Isso não é bem assim, o percurso era feito de altos e baixos curtos mas muito inclinados, incluindo um viaduto por cima do caminho-de-ferro (que são sempre mais inclinados porque têm que vencer as catenárias).
Em segundo lugar, existiam quatro curvas de 180º, sendo que três delas era chegar a meio de uma rua e voltar para trás e noutra era uma rotunda larga. Ou seja o percurso tinha ao todo 24 curvas de 180º, o que me deixou maluco.
Depois da queda de Matosinhos perdi muita confiança nestas curvas e travava demasiado, nessa altura os ciclistas que me acompanhavam ganhavam vantagem e depois tinha que sprintar para os voltar a apanhar, o que raramente acontecia já que poucos metros mais tarde surgia uma nova curva deste tipo.
Depois, com o calor, o bidão que levava comigo não foi suficiente, e nas duas últimas voltas senti muita sede. Devia ter levado dois, por isso, na próxima já sei.
Foi um percurso feito em grande sofrimento e sem qualquer prazer, aquelas curvas e os piques que tinha que fazer desgastavam-me fisica e psicologicamente. Não fiquei nada cliente do percurso, que foi, sem dúvida, o pior que apanhei. Não sei se fará sentido por 24 curvas de 180º num percurso só, talvez haja quem goste, mas eu não, odeio.
Fiz 1:26:27, o que equivale a uma média de 28,3 km/h, uma média fraca, mesmo tendo em conta o tipo de percurso que obrigava 24 vezes a reduzir a velocidade quase aos 0 km/h
Corrida (10 km)
Aproveitei a transição para repor líquidos bebendo meio litro de bebida energética. Demorei 1:35, mas estava mesmo a precisar de algum tempo de recuperação. Contudo, aqui voltei a errar. 10 km sem meias é demasiado, sobretudo com as minhas sapatilhas, que têm tendência a criar bolhas nos pés.
Ao fim de uma volta já estava a ter bastantes dores, e a última volta foi mesmo muito penosa. Basicamente estive a arrastar-me pela corrida tentando acabar o mais depressa possível e com o mínimo de dores.
Quanto ao percurso, era muito mais interessante, também com algumas subidas e passando por zonas com muitas pessoas. Pena que elas pouco ligassem à prova e muitas vezes circulassem a pé pelo meio dos atletas, cheguei mesmo a gritar para algumas pessoas saírem da frente. Mas pronto, o primeiro (o meu colega Pedro Palma) já tinha passado há muito e percebe-se em parte o comportamento.
O tempo final foi fraquinho 52:54, ou seja, acima dos 5 min/km. Malditas bolhas nos pés!!
Resultado Final
Tudo somado: 2:55:09, o que ficou aquém das expectativas. Apontava para fazer no mínimo menos 10 minutos do que fiz. Eu sei que foi uma estreia e cometi vários erros de principiante, mas queria chegar a um resultado melhor. Vamos lá ver se em Setúbal com mais experiência consigo melhorar. São essas as minhas expectativas.
Confesso também que as provas sprint me dão mais prazer. Ou então, Matosinhos e esta prova foram apenas excepções. Vamos ver as cenas dos próximos capítulos.
Quanto à prova, como já devem ter percebido foi talvez o triatlo que menos gostei. Em primeiro lugar a poluição (compensada por um percurso realmente interessante). Seguiu-se um percurso de ciclismo muito pouco agradável e com demasiadas curvas apertadas e tudo acabou num percurso de atletismo interessante mas com um público pouco cooperante. Vamos ver se para o ano melhoram (pelo menos em relação à poluição isto tem que melhorar, sob pena de receberem apenas meia dúzia de triatletas.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Triatlo e teatro
Antes de relatar a minha experiência em Aveiro deixo aqui esta sugestão. Uma peça de teatro na qual participo como actor e em que participei na escrita. Está hoje e amanhã em cena do Auditório da FEUP. Apareçam!
Sinopse:
Uma seita ultra-secreta reúne-se no interior de uma cúpula no subsolo da FEUP. Os seus objectivos são claros: dominar a faculdade, criar uma freguesia e mais tarde dominar o universo implementando a sua própria ideologia: ”O ENGENHEIRISMO”.
A arma? FEUPVILLE, um jogo criado para controlar todas as pessoas a partir do vício. Passados poucos dias já ninguém sabe onde acaba o jogo e onde começa a realidade. Como reagir? Quem sobreviverá? Será que a seita vai atingir os seus objectivos?
Uma comédia sobre engenheiros para todos os públicos, encenada por José Carretas em cena nos dias 19 e 20 de Julho no Auditório da FEUP.
Mais informações em www.facebook.com/feupville.
A entrada é gratuita mas é necessário levantar bilhete. No infodesk da FEUP durante o dia ou a partir de 1 hora antes do espectáculo. Se quiserem eu posso reservá-lo desde que o levantem até às 21h10 na bilheteira.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Sra. da Assunção
quinta-feira, 10 de junho de 2010
XXVII Triatlo de Peniche
No último sábado fui à mais antiga prova de Triatlo do país, mas ainda com uma frescura assinalável.
Peniche é uma cidade muito interessante e única no nosso país. Em termos geográficos parece que quando os continentes se separaram a península de Peniche hesitou entre ficar em Portugal ou nos EUA. Optou pelos primeiros e deve-se ter arrependido. Quando era pequeno pensava que os penichenses eram inclusivamente pessoas frustradas, já que por pouco que não eram americanos.
Cheguei a Peniche ainda de manhã e pude comer um peixinho com a Leonor e começar a sentir o cheirinho a triatlo a circular nas ruas (bem melhor do que o cheiro a peixe, diga-se). Por volta das 14h estacionei tudo no parque de transição com muita calma e ainda tive tempo para ver as provas de aquatlo e de lazer.
Pelo meio ainda fui saudado por um triatleta de Almada que também costuma visitar o blogue (uma sensação estranha de fama) e passei algum tempo com os meus colegas do CFV (o Tiago Rola continua com azar nos problemas mecânicos, desta vez foi o desviador da frente que partiu) e com o Rui Pena e o Eurico Coelho da AASM.
Natação (750m)
Esta era a minha estreia em triatlos no mar mas quando olhei para o sítio onde íamos fazer a prova, percebi que de mar era só a água salgada, já que as ondas estavam todas em Supertubos. No entanto, a primeira boia parecia bastante longe e do pontão onde estava o público não se conseguia ver a totalidade do percurso o que dificultou a orientação.
Dentro de água percebi que existia uma certa corrente perpendicular ao troço até à primeira boia mas que estaria de frente no troço final, podendo complicar as coisas.
Soou a buzina de partida e a confusão habitual. Engulo mais uma vez pirolitos e desta vez de água salgada, o que me deixou com impressão na garganta até ao final do ciclismo. Pelo meio muita porrada mas consigo manter uma boa orientação até à primeira bóia. Muitos socos, patadas e cotoveladas pelo meio, mas nada fora do comum, todos eles resultavam do movimento de natação e não por capricho dos participantes.
O pior foi quando dobro a primeira boia. Primeiro, uma série de triatletas atiram-se por cima de mim para a agarrar enquanto eu vou a contorná-la a nado. Por fim, o meu colega de trás agarra-se à minha cintura com as duas mãos empurrando-me para o fundo. Estive quase a responder ao soco e ao pontapé, mas disse-lhe aquilo que uma pessoa geralmente diz a quem o tenta afogar, apesar de nem sequer o ver no meio da confusão. Um abraço (igual ao que me deu) para ele, desde já.
Da primeira para a segunda foi o meu melhor troço, um bocadinho menos confusão e corrente a favor. O pior foi o troço seguinte, que era contra a corrente e em que a confusão não desvanecia. Comecei aí a sentir que o tempo não seria grande coisa. Para finalizar a saída da água era por uma escada de pedra, mas desta vez nada de tonturas. Acabei por fazer 16:02, ou seja, mais 26 segundos que em Coimbra.
A corrente explica alguma coisa, mesmo os melhores demoraram mais cerca de 30 segundos que em coimbra, mas quando vi que o mar não era bravo pensei fazer bem melhor (nas séries na piscina fiz sempre 100m entre os 1:25 e os 1:30). Apesar disso, saí à frente de atletas que costumavam ganhar-me, o que não era mau de todo.
Ciclismo (21,7 km)
Ainda antes do ciclismo tenho que falar na transição. Desta vez estava cronometrada e eu fiz 1:36, o que será demasiado. Na próxima prova já terei sapatilhas de ciclismo com velcro a apertar e espero tirar pelo menos 30 segundos a este tempo. Não posso demorar tanto.
Quanto à prova de ciclismo, penso que foi a melhor de sempre. Pelo menos aquela em que eu me senti melhor e onde me diverti mais. Este ano senti que o meu ciclismo não estava grande coisa, até porque este muito mau tempo no Inverno, e que os progressos nas outras modalidades eram bem speriores aos registados em cima da bicicleta.
Talvez por não ter forçado na natação, estava com bastante energia e vendo um grupo formar-se mais à frente, puxei logo bastante à saída para colar no grupo onde estava, entre outros o Rui Pena, e duas triatletas femininas que pareciam estar em competição entre si. Encostei no grupo e a minha primeira reacção foi descansar, mas estava bastante atento ao que se passava.
Pouco depois, quando chegámos ao entroncamento junto ao mar senti a velocidade a reduzir e menos oportunidades para chegar ao grupo da frente. Fui para a frente do grupo e só parei de puxar quando encostei aos da frente, contando em momentos com ajuda de alguns colegas. Quando olhei para trás vi que o grupo tinha sido desmembrado, o que me deu ainda uma maior sensação de força.
Nas voltas seguintes a história foi mais ou menos parecida. Andei a saltar de grupo em grupo, encostando sempre aos da frente e deixando muitos para trás. No final acabamos por ser apenas 2, até que voltamos ao paralelo e levantei o pé para não me arriscar a uma queda (o percurso era algo sinuoso no regresso ao parque de transição). No final 41:15 (31,56 km/h de média) o que não é mau, tendo em conta que fui grande parte do tempo a puxar, estava algum vento e o percurso tinha muitos altos e baixos.
Para terminar, o melhor do o fim-de-semana: visitei as Berlengas pela primeira vez e fiquei estarrecido com a beleza do local. Vale mesmo a pena visitar e aproveitar para nadar um pouco por entre os peixes.