quarta-feira, 21 de setembro de 2011

I Triatlo de Lisboa



Depois de uma pausa em termos competitivos em que aproveitei para treinar afincadamente a pensar no meu primeiro Triatlo Longo (que seria em Troia, mas que infelizmente não vai ser), chegava ao Triatlo de Lisboa com o intuito de bater o meu record pessoal. Após Aveiro, ainda fui a Abrantes com pouca motivação, e fiz a Corrida do Bodo (10 km) em Pombal, ambas numa altura que ainda estava em recuperação dos dois Triatlos Olímpicos muito intensos que tive na mesma semana.
O Triatlo começou um pouco mal, já que esperámos muito tempo para entrar no parque de transição. O parque era relativamente pequeno e tivemos que esperar que os participantes na prova lazer retirassem as suas bicicletas. Preferia ter preparado as coisas com maior tranquilidade, mas como era domingo, paciência.
O percurso era bem mais fácil que os anteriores Triatlos Olímpicos em que participei, à excepção da natação onde estaria sujeito a corrente e alguma ondulação.



 Natação (1,5 km)




Tinha treinado bastante este segmento, mas as coisas não correram muito bem. Não apanhei muita confusão e consegui impor um nível confortável preocupando-me com a técnica. No entanto, estava com um problema: os óculos. Apesar de tentar ajustá-los antes da prova, a água entrava muito rapidamente e muitas vezes tinha que abrandar ou parar para os esvaziar. E, enquanto fazia isso nadadores mais lentos iam-me alcançando. Acabei por fazer a natação toda dentro de um grupo passando da frente para a cauda sempre que tirava água dos óculos. Apesar da corrente e pouca visibilidade penso que não cometi grandes erros de orientação, mas vi muita gente claramente fora da rota correcta. Acabei por fazer 34:27, um tempo aquém das expectativas que tinha. Melhorei cerca de 10 segundos nas séries de 100m na piscina e pensei que isso se iria reflectir na prova, mas nem por isso.



1ª Transição


Já no que diz respeito à transição, estou satisfeito com a melhoria. 1:18 (contando com um percurso a pé ainda grande e com o fato para tirar) foi um tempo bem bom. Tive calma para fazer tudo pela ordem correcta e para me começar a pedalar. Pelo meio vi que o meu amigo Jorge Carneiro já tinha saído e que tinha que ir buscá-lo, continuando o duelo que temos mantido ao longo destas provas (ter que competir com alguém mesmo cá para trás, acaba por ser moralizador).

Ciclismo (40 km)


O ciclismo começou um pouco lento. Demorei a colocar os pés dentro dos sapatos e fui ultrapassado por um ciclista do Alhandra e alcançado por outro. Este último era bastante forte e acabei por aproveitar a boleia e criamos um grupo de três. Como eram da mesma equipa, deixei-os fazer o trabalho inicial, mas após o retorno também fui para a frente e o primeiro acabou por descolar. Voltamos a ficar dois, sendo que ele trabalhava um pouco mais do que eu, confesso.
Durante toda a prova soprou um vento muito forte, com algumas variações de intensidade. O vento era lateral, na maior parte do percurso, mas em algumas zonas batia forte de frente ou empurrava-nos pelas costas. Em termos de vento era um percurso engraçado, pois tanto ficávamos parados praticamente como atingíamos grandes velocidades.
Na segunda volta fomos apanhados por um grupo maior e tentámos seguir na roda. Eu acabei por ceder antes do ciclista do Alhandra, já quase no retorno e acabei por ficar sozinho. Entretanto segui com um novo grupo, apanhamos o meu companheiro anterior e depois foi ele a descolar. Num dos retornos acabei por perder o contacto e a partir daí fiz grande parte do percurso sozinho. Com isso a média baixou um pouco, dos 34 km/h para os 33 km/h. Nas zonas em que o vento batia de frente descia até aos 27 km/h e quando estava a favor chegava a andar a 38 km/h.


Após o retorno da penúltima volta fui apanhado por um ciclista do Sporting ou do Golegã (Não consegui perceber) que mesmo sozinho voava bem perto dos 40 km/h. Segui na roda, sem forças para ajudar e chegámos a ultrapassar um grupo sozinhos, sem que ninguém conseguisse colar. No entanto, para meu mal, estava a levar uma volta de avanço, e aquela companhia acabou no final da volta. Com isso, fiquei extremamente perto do Jorge Carneiro. Mesmo sozinho, consigo recuperar rapidamente os 30 segundos que me separam dele e lanço um ataque sem que ele apercebesse (nunca me tinha sentido tanto um ciclista a sério como neste ataque) e não deixo que ele apanhe a minha roda. Sabia que era mais forte do que eu na corrida e que não ia ser grande ajuda no ciclismo, por isso tinha que atacar ali.
O problema foi que no retorno seguinte vi que tinha sido alcançado por um grupo e que pouco depois eu seria o próximo. Não insisti no caminho a solo e fui esperando que eles chegassem. Acabaram por ser só dois ciclistas (um dos quais o meu primeiro companheiro do Alhandra) até que o Jorge fez um forcing para encostar, e assim passámos a ser quatro.
Estavamos a rolar a uma boa velocidade até que furo o pneu, praticamente a 3 km da transição. A estrada era péssima, cheia de irregularidades de piso e buracos e além de mim, muita gente furou. Também notei que perdia algum controlo na bicicleta e que não podia andar muito depressa. Acabei por descolar e fazer o regresso do percurso a 20 km/h. Fui sendo ultrapassado e ainda parei para ver se estava mais alguma coisa mal com a roda já que andava constantemente a derrapar.
Devo ter perdido uns 3 minutos com a brincadeira, mas mesmo assim 1:16:14 não é um tempo muito mau, correspondendo a 31,5 km/h de média.

2ª Transição
Esta foi um pouco lenta. A bicicleta arrastava-se (vi que o pneu se tinha soltado, inclusivamente) e aproveitei para beber bastante a pensar na corrida. 1:11 na segunda transição é um pouco alto, mas também nada que me envergonhe.

Corrida (10 km)


Desde o início senti-me bastante à vontade, talvez porque os últimos quilómetros de bicicleta tenham sido feitos a passear. Ao início estava um bocado longe do meu melhor tempo, mas fui ganhando confiança. Na primeira volta senti os músculos da coxa no limiar da cãibra, mas com o tempo e com a água que deitei por cima começaram a desaparecer.
Fui olhando para o relógio e tentando fazer voltas de 12 minutos, que permitiriam fazer um tempo próximo do meu record. E assim foi, mantive um ritmo contínuo, a dar o que podia e no último quilómetro consegui impor um ritmo mais forte para acabar em 47:21, o meu melhor tempo em 10 km de corrida num triatlo.

Conclusão


Acabei a prova em 2:40:34, menos um minuto que em Pontevedra e com um furo incluído. Uma boa prova, num excelente local para a prática do triatlo à excepção do piso no ciclismo. Tenho pena é de duas coisas que não são tão normais no triatlo cá em Portugal e que merecem os seguintes reparos.
Público: Nunca vi um público tão indisciplinado. Ninguém batia palmas além dos familiares e amigos. Tudo bem, não eram obrigados, mas andar no meio da corrida sem olhar é uma falta de respeito para quem está ali a correr. Fartei-me de gritar e por pouco não ia contra algumas pessoas. Havia muito espaço para passear, porque tinham que ocupar a nossa corrida?
Banhos: Até esta prova sempre pude tomar banho no final. É algo que dá jeito para atletas como nós que vimos do norte e que não gostamos de conduzir 300 km suados e com restos de sal e resíduos do Rio Tejo no corpo e na roupa. Já tomei banhos de água fria, já tomei banhos em instalações que não eram as oficiais e sempre foram simpáticos permitindo algo tão simples e tão humano. Desta vez, não. Só bastante depois da prova soubemos que o banho seria nas instalações de uma equipa conhecida por se manter na primeira divisão por decisões da secretaria. Chegámos lá e ninguém sabia. Na piscina diziam que era no pavilhão, no pavilhão diziam que era no campo de treinos. O campo de treinos estava fechado. Dpeois alguém disse que era no balneário dos árbitros de futebol e, ao fim de uma hora nada. Até que o Jorge se lembrou de pedir à equipa do Modicus, que ia jogar futsal no pavilhão, para usar o seu balneário enquanto jogavam. E, a solidariedade nortenha veio logo ao de cima: Podem tomar à vontade. Logo aí se viu a diferença entre os dois clubes.
Só que, o segurança do pavilhão disse logo que não podíamos, e que ali não entrávamos. Pelo meio de alguma discussão, o homem lá foi falar com um superior que nos abriu finalmente um balneário extra que existia do outro lado do pavilhão e pudemos tomar banho ao fim de quase duas horas. Sinceramente não percebo este tratamento de um clube que se diz grande e que se comprometeu a ceder instalações para os triatletas tomarem banho. É que nem todos são de Lisboa e podem ir a casa tomar banho. Uma situação a rever.

PS: Um obrigado à Leonor pelas excelentes fotos que tirou.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

V Triatlo de Aveiro

Quando confirmaram a minha presença em Pontevedra, coloquei este triatlo de parte. Dois triatlos olímpicos numa semana era demasiado e, por outro lado, tinha más recordações do ano anterior. Água nojenta (eufemismo) e um percurso de bicicleta cheio de retornos, subidas, descidas e vento.
No entanto, após a jornada épica de Pontevedra fiquei cheio de vontade de estender um pouco mais o meu pico de forma. Seria muito difícil melhorar o tempo da prova anterior, mas seria um bom teste à minha resistência e uma forma de me vingar do ano anterior. Além disso, comecei a sentir bastante prazer a fazer esta distância.


O ano passado foi bastante duro, como atesta a crónica, e os tempos foram os seguintes:
Natação: 32:46
Ciclismo: 1:26:27
Atletismo: 52:54
Total: 2:55:09

Vamos lá ver como foi este ano, Tinha experiência na distância mas o desgaste de uma prova igual uma semana antes podia ter consequências inimagináveis.

Natação (1.500m)
Uma vez mais a qualidade da água deixou a desejar. O lodo levantou e com ele o mau cheiro, o moliço e outras coisas mais. A Leonor chegou a ver um peixe morto a boiar, não sei se resultado da má qualidade da água ou de uma sardinhada de S. João. A Federação bem evitou que os nadadores aquecessem junto à partida, pois já sabia o que ali havia, mas mesmo assim cheirava muito mal. É um pouco frustrante que no melhor local para se nadar num triatlo em Portugal a água esteja assim. É um cenário espectacular e, caso a largura dos canais esteja dentro dos parâmetros, daria uma excelente prova internacional. Só me dava vontade de fechar o canal algures, retirar a água e o lodo todo e depois voltar a enchê-lo com água limpa. Era mais barato e mais útil que a terceira auto-estrada Porto - Lisboa.
Mas adiante... Senti-me bem na natação, lancei-me para a frente, sem levar porrada mas apanhando bastante trânsito. Decidi chegar-me para a direita de modo a poder ultrapassar mais nadadores e consegui. No entanto a água teimava a entrar-me nos óculos e com a salitre (e sabe-se lá mais o quê) comecei a sentir-me bastante desconfortável. Esvaziando algumas vezes as lentes e perdendo algum tempo, acabei por cruzar a bóia de retorno com cerca de 15 minutos, o que não era nada mau, apesar de tudo.




 

No regresso, apanhei um grande grupo, numa velocidade continua e ocupando o canal a quase toda a largura. Tornava-se difícil ultrapassar. No meio do grupo existia um nadador que fez quase todo o percurso em bruços e, dada a forma de bater as pernas neste estilo tornava-se dificil ultrapassá-lo sem levar umas patadas. E foi aí que levei mais porrada. De qualquer forma parabéns, porque mesmo em bruços não nadava muito mais devagar que eu em crol.


Por fim, saio da água com 33 minutos, o que revela uma velocidade inferior ao primeiro terço, reflectindo o andamento do grupo em que estava. De qualquer forma foi um tempo semelhante ao do ano anterior, e correu bem melhor que todos os segmentos de natação neste ano, à excepção de Pontevedra, onde fiz 29 com fato mas perdi três minutos na transição. Nesta prova, a transição, e como não tinha fato, foi rapidíssima, para mim. Talvez a mais rápida até hoje, senti-me bastante orgulhoso com os 57 segundos.


Ciclismo  (40,8 km)
O ano passado fiquei surpreendido com a dureza e a sinuosidade do percurso. Este ano estava avisado e iria dar o possível para não me deixar abater como o ano passado. E desde o início senti-me bem. Não encontrei grandes grupos já que o elástico quebrava muitas vezes nas subidas e nas curvas, tanto para a frente como para trás. Tentei não sair muito, dentro do possível, do meu patamar confortável e volta após volta conseguia manter a média acima dos 31 km/h. Sabia que tinha o Jorge Carneiro atrás de mim e ia controlando a vantagem, vendo-a crescer nas últimas voltas. No final sentia-me um pouco desgastado mas muito longe do estouro do ano anterior. E com um tempo muito bom, atendendo ao meu nível: 1:17:03, a melhor marca em ciclismo num triatlo olímpico (menos um minuto do que Pontevedra e menos 9:20 (!) que no ano anterior). Uma média de 31,7 km/h, que revela enormes progressos neste sector.

 A transição foi um pouco mais lenta, por culpa das meias. Não quis arriscar ficar com bolhas nos pés, apesar destas sapatilhas nunca me terem deixado ficar mal. 1:15 não é mau de todo, e tirei mais um minuto ao tempo de Pontevedra. Tudo somado, acabei por sair do Parque de Transição com um tempo ligeiramente melhor do que Pontevedra, pelo que se fizesse uma corrida semelhante o recorde podia ser batido. Quanto à melhoria em relação ao ano anterior estava quase garantida. Bastava fazer os 10 km finais em menos de uma hora. Também saí com alguma vantagem em relação ao Jorge, mas sabia que se ele não estourasse na corrida passaria por mim mais cedo ou mais tarde.


 Corrida (10 km)
Senti-me bem no início e consegui impor um bom ritmo e passar alguns corredores enquanto era dobrado por outros. A primeira volta foi feita sem sofrimento e na segunda também me senti bem. O recorde da semana anterior poderia estar perto de ser batido. No entanto, nas duas últimas voltas (eram quatro), comecei a sentir bastante o desgaste. Fui sentindo as pernas cada vez mais presas. No final da terceira volta fui passado pelo Jorge e na altura desmoralizei um pouco. Fui com o meu ritmo a descer e a ser ultrapassado por mais atletas. Não dava para mais. Não foi fraqueza, alimentei-me bem, era apenas o sinal de cansaço no final de duas provas desgastantes. Comecei a perceber que o recorde começava a ficar longe mas ia ser na mesma uma excelente prova. Acabei o ciclismo com 51:23, mais dois minutos que Pontevedra e menos um minuto que no ano passado.


Resultado Final
O recorde não foi batido e, embora no final do ciclismo tenha acreditado ser possível, não era algo que pensasse à partida. Fui para esta prova divertir-me e tirar as teimas relativamente ao ano anterior. Fiz 2:43:49, apenas mais 1:17 que Pontevedra. Há uma semana o meu melhor tempo era 2:50:52 (Setúbal) e há um ano tinha feito 2:55:09, ou seja, mais 11:20. Mesmo este ano, em Montemor, fiz 2:58:21. Sinto que subi um degrau, passei claramente de tempos acima das 2h:50m para tempos abaixo das 2h45m. Agora resta continuar a treinar para passar à casa das 2h30m.
Uma palavra especial para a Leonor que me deu imensa força na natação, acompanhando-me durante todo o percurso e tirando todas estas fantásticas fotos.

Resultados aqui.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Triatlo de Pontevedra - Campeonato Europeu

Este blogue não tem sido actualizado nos últimos tempos, por razões que irei expor num post próximo. Mas, depois da prova de domingo (Europeu de Triatlo) vou voltar aqui ao estaminé, que já tinha saudades.


segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Serra da Estrela

Amanhã uma subida à torre para comemorar a república. Alguém alinha?

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

III Triatlo Cidade de Setúbal




Foto: Paulo Pitarma

No último sábado participei no III Triatlo de Setúbal, o segundo olímpico da minha carreira. Depois de em Aveiro ter empenado de sobremaneira, desta vez a minha táctica era semelhante à do Jesualdo quando jogava fora na Liga dos Campeões. Defender, defender e defender. O resultado é que podia variar. Podia levar os 5-0 do ano passado no Emirates ou empatar 2-2 em Old Traford. Ganhar? É tão provável eu ganhar alguma coisa para além de um empeno como o Jesualdo ganhar em Inglaterra.
A estratégia seria poupar-me na natação, no ciclismo procurar um bom grupo (mesmo que para isso tivesse que esperar por alguém vindo de trás) e na corrida, que tinha uma rampa com 8% de inclinação para repetir em cada uma das 4 voltas, dar o que podia. Dois bidões, dois saquinhos de gel. Nada de aventuras desta vez. E meias. Sim, meias, calçadas logo no início para as bolhas nos pés não me matarem.

Natação (1.500m)

Em Aveiro fiz esta distância sem fato em 32 minutos. Depois talvez tenha pago isso com o cansaço que tive na bicicleta e na corrida (péssimos tempos). Agora ia mais devagar mesmo que me sentisse bem.
Já aqui tinha falado que nos últimos tempos não tinha levado porrada, que a coisa estava a melhorar nesse aspecto. Para a próxima vou ver se fico calado. Soa o tiro de partida, primeira braçada e, logo ali, pontapé na cara. Sim, ao estilo Bruce Lee. Agarro-me à cara, deito a língua na zona e pronto, já tinha aberto qualquer coisa dentro da boca. Engulo a bela água da Foz do Sado para desinfectar e sai avermelhada. Penso dar duas braçadas e voltar para trás, mas pronto, uma pessoa metida dentro de água depois de 350 km não vai desistir logo ali mesmo com a bochecha deslocada. Siga então para a frente. Em último, pois claro.
Talvez tenham sido uns 30 segundos, não faço ideia, mas estava mesmo em último. Não foi por isso que deixei de jogar à defesa. Coloco um ritmo confortável e vou recuperando lugares. Quando contornei a primeira bóia vi que já havia uma série de nadadores para trás. Continuando agora a favor da corrente do Sado, mas a levar com as ondas do mar de lado (que belo momento de poesia este!), cheguei à segunda bóia e é hora de regressar à costa. Como agora tenho a corrente do Rio a bater-me pela direita, vou nadando meio de esguelha. A bóia parece mudar sempre de direcção e eu sempre a fazer o esforço ficar no seu enfiamento. Quando ela fica mais perto, parece que sou empurrado até Sesimbra numa ou duas braçadas. Mas que grande volta que fui dar. E contra a corrente, lá volto até à bóia seguindo a lutar contra o Sado até ao fim da primeira volta.
No início da segunda volta olho para o relógio e vejo 22 minutos (o quê?? está tudo doido??). Não, eram mesmo 22 e tinha que recuperar um pouco. Tento acelerar e alcanço um grupo que vai a uma velocidade confortável. Chego ao terceiro troço novamente e evito chegar novamente a Sesimbra, ou melhor, tento evitar. Passado um bocado já ando por baixo de um barco que estava por lá ancorado, e pouco tempo depois lá estou eu a passar no Portinho da Arrábida empurrado pela corrente. Resultado: lá se foi o grupo e toca a recuperar novamente. Mas em câmara muito lenta, com tanta corrente parecia que não conseguia sair do sítio. Quando chego ao parque de transição: 44 minutos, daí a pressa das pessoas a dizerem para eu passar no tapete que o controlo ia fechar. Pois, parece que escapei por 51 segundos. Que vergonha! 44:09 é mesmo vergonhoso.

1ª Transição e ciclismo (39 km)
Apesar do tempo que fiz na natação, fiz a transição com calma para recuperar do ritmo cardíaco acelerado por causa de um troço contra a corrente. Tirei o fato, calcei as meias e as sapatilhas já estavam nos pedais (sim, já tenho sapatilhas de triatlo). Portanto, está tudo. Começo a correr. E mandam-me parar. Faltava o capacete. E pronto, o meu primeiro stop and go. Com isto, mais um tempo vergonhoso: 2:23 na transição e nem as sapatilhas tinha calçadas.
Quando começo o ciclismo vejo os meus antigos colegas de triatlo. Sim, os do ano passado. Já há muito tempo que não os via. Estava na hora de acelerar. Ao contrário de Aveiro era um percurso pouco sinuoso e com muitas rectas. 5 voltas e um retorno no ponto mais afastado. Era a altura de recuperar tempo (sim, porque com tantos atrasos acabar o ciclismo antes das 2 horas começava a ficar difícil, iria ter que andar acima dos 30 km/h).
Vou por isso para a frente à procura de um grupo de jeito. Vou ultrapassando ciclistas e levando alguns atrás de mim, que se recusam a ir para a frente quando lhes dou passagem. Estava entregue a mim próprio, mas a sentir-me com força.
Alguns tinham medo do paralelo que ia aparecendo em dois troços pelo meio. Mas um homem do norte está habituado a isso. Nós, que para chegar ao alcatrão após 5 quilómetros de paralelo não são umas rectazinhas que nos fazem vacilar. Aliás, o paralelo de Setúbal é bem mais confortável que o alcatrão das estradas da Trofa. O único senão: um bidão que saiu a correr e que nunca mais o vi. Fez-me falta aquela água.
Chego ao final da primeira volta e continuo a puxar. Felizmente surge um corredor vindo de trás (não sei se era da minha volta ou não) e passa para a frente. Felizmente um momento de descanso. Vou na roda dele, e sentia-me bem, apesar do ritmo forte. Depois do retorno, quando sinto a velocidade a esmorecer, vou para a frente, mas ele quase não me deixa, quer puxar ainda mais. Pronto, amigo eu vou na roda, não te preocupes. E lá fui.
Na terceira volta somos alcançados por um grupo grande, que devia ter corredores de várias voltas. Ia a um excelente ritmo e eu estava com forças para encostar. Foram as melhores 2 voltas deste ano. Ali, confortável no centro do pelotão, com gente muito boa a puxar e a passar ciclistas atrás de ciclistas (alguns colavam, como o meu amigo Jorge Carneiro e outros iam perdendo o contacto). No final da minha quarta volta a grande maioria do grupo acaba o segmento e lá vou eu para a frente. Faço quase todo o percurso de ida na frente (às vezes o Jorge ia lá, mas estava mais cansado por ter feito uma parte maior do percurso sozinho) e na vinda mando os meus colegas puxar. Foi um regresso bastante fraco, mas estava na hora de me poupar para a corrida e não estava na hora de fazer maluqueiras. O ritmo decaiu e acabei por entrar à rasquinha antes das duas horas do controlo. Apesar disso, um tempo muito bom: 1:12:42, acima dos 32 km/h. A minha melhor prestação no ciclismo. Ou seja, se tinha perdido 12 minutos na natação para Aveiro, agora recuperei 14 minutos no ciclismo e já não estava numa prova vergonhosa.

2ª Transição e Corrida (10 km)
Não há muito a dizer desta transição. Aproveitei para beber, estava algo desidratado por ter perdido um dos bidões logo no início e voltei a ir nas calmas porque logo a seguir vinham os tais 500m a 8%.
Começo a correr e a subir e sinto-me bem, a transição não me pesa. Na subida começo a impor um bom ritmo e a passar alguns atletas. Chego ao cimo algo ofegante e preparo-me para descer. E aí é que me parece que vai sair tudo pela boca. É a dor nos abdominais (inícios de pubalgia?), é dor de burro, é respiração ofegante, é princípios de cãibras. Bem, é muito pior descer que subir. Reduzo a velocidade, alguns passam-me e encosta-se a mim novamente o Jorge Carneiro. Quando me preparava para dizer-lhe adeus e vai à tua vida, acaba a descida e sou eu que ganho uma nova vida. As cãibras desaparecem e as outras dores vão diminuindo de intensiadade. Sinto-me bem quando volto a subir e volta após volta vou ganhando confiança. Na última ainda vou com forças para um forcing final. Um único problema: bolhas nos pés a aparecer. Ultrapasso 4 colegas (o último o Eurico, meu vizinho no Dragão) com um ritmo de quem quer baixar das 2:50:00 mas já era tarde demais. A corrida foi feita em 50:22. Não foi brilhante foram 2 km a subir a 8%. Também não foi nada mau e tirei quase 3 minutos a Aveiro (onde as bolhas nos pés me afectaram mais).

Resultado final
A aventura custou-me 02:50:52, menos 4:17 que em Aveiro e após uma natação de 44 minutos. 141º lugar em 174 à partida (24 foram eliminados). Com uma natação minimamente aceitável teria baixado do 2:40:00. Mas afinal não fui só eu. Todos tiveram tempos estranhíssimos na natação. Não tão maus, é certo, mas fraquinhos para o habitual. Ao menos isso.
Depois dos empenos nestas distâncias (Matosinhos e Aveiro), finalmente uma prova onde acabei bem e a sentir-me com força. Para a próxima talvez arrisque um pouco mais. Boas indicações para a próxima época. Fiz as pazes com os Triatlos Olímpicos.
Ah, e preciso de sapatilhas novas! Já chega de bolhas!

Uma referência final: Não ficava nada mal à organização alterar os critérios de desclassificação em provas deste tipo. Percebo que as estradas não podem estar muito tempo cortadas, mas no ciclismo também modificam os horários de controlo em função do desempenho dos ciclistas e das dificuldades das etapas. Muita gente fez 700km para ser eliminado e isso não é bom para ninguém. Por fim, os polícias facilitaram um pouco, quer nos atravessamentos, quer com a entrada de um carro no percurso já no final da minha prova. Uma questão a rever.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

VI Triatlo de Raiva

Precisamente no Triatlo que tem o melhor enquadramento paisagístico, não tenho uma única foto para ilustrar este post. Desastre! Mas pronto, já com algum atraso aqui vai o relato do Triatlo de Raiva, que se realizou a 8 de Agosto, dia de anos da minha mãe. Comecemos então pela natação.

Natação (650m)
Houve uma pequena alteração de modo a reduzir a distância. Pelos vistos eram 650m mas pouco ou nenhuma diferença notei. Voltei a sentir-me bastante à vontade, boa orientação e pouca porrada. Tive um pequeno engano na forma como abordei a aproximação à penúltima bóia (pensava ser a última) mas não tive grande perda de tempo por causa disso. Ainda forcei no final mas não consegui ganhar lugares. O tempo final foi 15:39, o que me deixou satisfeito, tendo em conta que não tinha fato.

Ciclismo (16km)
Já conhecia grande parte do percurso, que fiz o ano passado. Por isso, decidi ir forte logo no início e nas primeiras rampas (primeiro em paralelo e depois em asfalto até à primeira rotunda) passei vários ciclistas que eram mais fortes do que eu na natação. No entanto, a subida nunca mais acabava e comecei a perder fôlego. Comecei a ser ultrapassado e não os acompanhava. O último quilómetro da subida foi bastante sofrido, até por estar a desmoralizar um pouco.
A descida que se seguiu soube bem para recuperar fôlegos mas acabei por perder mais alguns lugares. Na subida seguinte voltei a alcançar quem me passou na descida. E o resto da prova de ciclismo foi assim. Passava os meus colegas de grupo nas subidas e era ultrapassado nas descidas. Como o percurso acabava a descer, chegaram à minha frente. O tempo final não foi bom: 40:51 incluindo as transições, o que é claramente abaixo dos habituais 30 km/h. Uma má prestação mesmo tendo em conta o terreno irregular.

Corrida (4,2 km)
Fiz a corrida de trás para a frente, ganhando lugares atrás de lugares, poucos me ultrapassavam e consegui imprimir um bom ritmo apesar das subidas algo duras. Fiz 18:39, ou seja, uma média de 4:15 minutos por quilómetro num percurso difícil.

Resultado Final
O tempo final oficial foi 1:15:10 tendo ficado em 66º em 101 participantes, ou seja, a 2/3 da tabela. Não foi um grande resultou, mas senti-me melhor que em Aveiro. A bicicleta foi claramente o sector que mais me penalizou, uma vez mais. A minha modalidade favorita é a que me está a correr pior. É a piada de treinar triatlo. Umas modalidades melhoram e outras pioram e temos que ir trabalhando todas para termos melhores resultados. Se só nadasse, só andasse de bicicleta ou só corresse a minha vida seria muito mais monótona.
Por fim, uma referência à organização que foi espectacular, muito graças ao empenho dos agentes locais, sobretudo o Movimento Raiva com Identidade. Durante o ciclismo sempre tive a companhia de batedores da GNR ou de um grupo de motards locais, tudo bem sinalizado, e no final quando levantei os pertences no segundo parque de transição estava tudo direitinho distribuído por clubes, algo que nem na Taça de Portugal acontece. Uma vez mais as pessoas do norte mostraram de que material são feitas. Parabéns a todos.
Por fim, o título colectivo. Sagrámo-nos campeões regionais por equipas e o Gil e o Tiago foram 1º e 2º no campeonato regional. Na altura pensei ter fechado a equipa em 3º lugar... mas fui o 4º. Paciência! Até à Póvoa!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

IV Triatlo de Aveiro



O Triatlo de Aveiro marcou a minha estreia na distância olímpica. No entanto, a preparação deste triatlo ficou marcada, por um lado, pela morte do meu avô, pouco mais de uma semana antes (curiosamente ele natural de Cacia, Aveiro) e também pelos ensaios de Feupville. Se a segunda questão não fez com que perdesse treinos, no primeiro caso isso aconteceu, por razões óbvias, e logo na semana que marcava o topo da preparação. De qualquer forma nem um nem outro caso seriam desculpas para uma má prestação.
Pelo meio encontro o Rui Pena e o Mark Velhote, que se encontra prestes a iniciar-se nestas lides. Aliás, todas as fotos aqui presentes são do Mark, que quis perceber como funcionam estas coisas vendo do lado de fora. Ah, e gostei do pormenor de termos o nosso nome no Parque de Transição, até parece que somos gente importante.



Natação (1500m)




A água parecia estar limpa. Viam-se peixes e nem pareciam ser taínhas. Até que, de repente, entram 200 mamíferos dentro de água revolvendo todo o lodo acumulado no fundo da Ria de Aveiro. E por baixo do lodo deviam estar acumuladas milhões e estreptococos, enterococos, coliformes fecais, E. coli, para além de tudo o que é Nitratos, Mercúrio, Sulfatos e mais o que quer que seja. De repente a água limpa ficou castanha e o cheiro ficou semelhante ao de uma suinicultura junto ao Rio Lis.
Depois, já não bastava estarmos a nadar pelo meio de todos os tipos de poluição que ainda nos mandaram sair da água e voltar a entrar. Ainda tive a esperança que fossem analisar a água e com o resultado mandar-nos para as piscinas municipais, mas não era mesmo porque havia gente agarrada as boias e à linha da partida.
De qualquer forma isto é um caso de saúde pública, acredito que a água não esteja muito poluída quando fazem as análises,mas com esta gente toda a levantar o lodo, não acredito que a Ria esteja em condições para receber uma prova.
Esquecendo tudo isso, e assegurando que sobrevivi e que não tenho (para já) qualquer sequela de tamanha aventura, passemos então à prova.
Curiosamente, apesar de ser um canal estreito, só sofri um pouco a porrada nos momentos iniciais antes do estreitamento. Descobri que a porrada inicial está muito ligada a dificuldades de orientação e como ali não há problemas os ânimos estavam bem mais calmos. Gostei também da força do público, que estava a poucos metros de distância, algo nada habitual nos segmentos de natação.
Correu-me particularmente bem este percurso. Eram 1.500 metros, algo que nunca tinha feito em competição e por isso não forcei muito. Além disso, ia sem fato o que tornava a coisa teoricamente mais difícil. Mas afinal não. Fiz logo de início respiração a cada três braçadas, atingi um bom ritmo sem querer forçar muito e nos momentos finais do percurso sentia-me tão fresco como numa prova de 750 metros. O tempo final espelha isso: 32:46, o que, tendo em conta que em Peniche e com fato tinha feito 16:02, revela que subi bastante na natação e que me dei muito bem com a nova distância.

Ciclismo (40,8km)




A transição foi feita com mais calma que o costume (talvez demasiada, até) com um tempo de 1:25, ou seja, quase tanto como o que demoro com fato. As coisas devem começar a correr melhor quando chegarem as sapatilhas de triatlo que encomendei, mas pelo que parece na loja estão com problemas a processar o pedido e ao fim de 2 meses nada.
A prova, foi do pior. A fazer lembrar Matosinhos, sem quedas mas com poucas pernas. Não consegui integrar nenhum grupo e passei poucos ciclistas. Era muitas vezes ultrapassado e faltavam-me sempre as pernas. Fiz, por isso, grande parte do percurso sozinho ou com mais um ou outro colega.
Penso que, para além da minha falta de pernas, este percurso correu mal por duas outras razões.
Em primeiro lugar, não olhei para a altimetria, pensando que Aveiro era uma cidade completamente plano. Isso não é bem assim, o percurso era feito de altos e baixos curtos mas muito inclinados, incluindo um viaduto por cima do caminho-de-ferro (que são sempre mais inclinados porque têm que vencer as catenárias).
Em segundo lugar, existiam quatro curvas de 180º, sendo que três delas era chegar a meio de uma rua e voltar para trás e noutra era uma rotunda larga. Ou seja o percurso tinha ao todo 24 curvas de 180º, o que me deixou maluco.
Depois da queda de Matosinhos perdi muita confiança nestas curvas e travava demasiado, nessa altura os ciclistas que me acompanhavam ganhavam vantagem e depois tinha que sprintar para os voltar a apanhar, o que raramente acontecia já que poucos metros mais tarde surgia uma nova curva deste tipo.
Depois, com o calor, o bidão que levava comigo não foi suficiente, e nas duas últimas voltas senti muita sede. Devia ter levado dois, por isso, na próxima já sei.
Foi um percurso feito em grande sofrimento e sem qualquer prazer, aquelas curvas e os piques que tinha que fazer desgastavam-me fisica e psicologicamente. Não fiquei nada cliente do percurso, que foi, sem dúvida, o pior que apanhei. Não sei se fará sentido por 24 curvas de 180º num percurso só, talvez haja quem goste, mas eu não, odeio.
Fiz 1:26:27, o que equivale a uma média de 28,3 km/h, uma média fraca, mesmo tendo em conta o tipo de percurso que obrigava 24 vezes a reduzir a velocidade quase aos 0 km/h

Corrida (10 km)

Aproveitei a transição para repor líquidos bebendo meio litro de bebida energética. Demorei 1:35, mas estava mesmo a precisar de algum tempo de recuperação. Contudo, aqui voltei a errar. 10 km sem meias é demasiado, sobretudo com as minhas sapatilhas, que têm tendência a criar bolhas nos pés.
Ao fim de uma volta já estava a ter bastantes dores, e a última volta foi mesmo muito penosa. Basicamente estive a arrastar-me pela corrida tentando acabar o mais depressa possível e com o mínimo de dores.
Quanto ao percurso, era muito mais interessante, também com algumas subidas e passando por zonas com muitas pessoas. Pena que elas pouco ligassem à prova e muitas vezes circulassem a pé pelo meio dos atletas, cheguei mesmo a gritar para algumas pessoas saírem da frente. Mas pronto, o primeiro (o meu colega Pedro Palma) já tinha passado há muito e percebe-se em parte o comportamento.
O tempo final foi fraquinho 52:54, ou seja, acima dos 5 min/km. Malditas bolhas nos pés!!

Resultado Final
Tudo somado: 2:55:09, o que ficou aquém das expectativas. Apontava para fazer no mínimo menos 10 minutos do que fiz. Eu sei que foi uma estreia e cometi vários erros de principiante, mas queria chegar a um resultado melhor. Vamos lá ver se em Setúbal com mais experiência consigo melhorar. São essas as minhas expectativas.
Confesso também que as provas sprint me dão mais prazer. Ou então, Matosinhos e esta prova foram apenas excepções. Vamos ver as cenas dos próximos capítulos.
Quanto à prova, como já devem ter percebido foi talvez o triatlo que menos gostei. Em primeiro lugar a poluição (compensada por um percurso realmente interessante). Seguiu-se um percurso de ciclismo muito pouco agradável e com demasiadas curvas apertadas e tudo acabou num percurso de atletismo interessante mas com um público pouco cooperante. Vamos ver se para o ano melhoram (pelo menos em relação à poluição isto tem que melhorar, sob pena de receberem apenas meia dúzia de triatletas.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Triatlo e teatro



Antes de relatar a minha experiência em Aveiro deixo aqui esta sugestão. Uma peça de teatro na qual participo como actor e em que participei na escrita. Está hoje e amanhã em cena do Auditório da FEUP. Apareçam!

Sinopse:

Uma seita ultra-secreta reúne-se no interior de uma cúpula no subsolo da FEUP. Os seus objectivos são claros: dominar a faculdade, criar uma freguesia e mais tarde dominar o universo implementando a sua própria ideologia: ”O ENGENHEIRISMO”.

A arma? FEUPVILLE, um jogo criado para controlar todas as pessoas a partir do vício. Passados poucos dias já ninguém sabe onde acaba o jogo e onde começa a realidade. Como reagir? Quem sobreviverá? Será que a seita vai atingir os seus objectivos?

Uma comédia sobre engenheiros para todos os públicos, encenada por José Carretas em cena nos dias 19 e 20 de Julho no Auditório da FEUP.

Mais informações em www.facebook.com/feupville.

A entrada é gratuita mas é necessário levantar bilhete. No infodesk da FEUP durante o dia ou a partir de 1 hora antes do espectáculo. Se quiserem eu posso reservá-lo desde que o levantem até às 21h10 na bilheteira.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Sra. da Assunção

Ontem aproveitei o S. João para um duplo treino. De manhã 3km a nadar e de tarde treino de subida, na Sra. da Assunção. Apesar de ir em ritmo de treino correu bem e baixei o meu record dos 28:36 para os 26:00. Agora é continuar a dar-lhe duro até Aveiro.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

XXVII Triatlo de Peniche





No último sábado fui à mais antiga prova de Triatlo do país, mas ainda com uma frescura assinalável.
Peniche é uma cidade muito interessante e única no nosso país. Em termos geográficos parece que quando os continentes se separaram a península de Peniche hesitou entre ficar em Portugal ou nos EUA. Optou pelos primeiros e deve-se ter arrependido. Quando era pequeno pensava que os penichenses eram inclusivamente pessoas frustradas, já que por pouco que não eram americanos.
Cheguei a Peniche ainda de manhã e pude comer um peixinho com a Leonor e começar a sentir o cheirinho a triatlo a circular nas ruas (bem melhor do que o cheiro a peixe, diga-se). Por volta das 14h estacionei tudo no parque de transição com muita calma e ainda tive tempo para ver as provas de aquatlo e de lazer.
Pelo meio ainda fui saudado por um triatleta de Almada que também costuma visitar o blogue (uma sensação estranha de fama) e passei algum tempo com os meus colegas do CFV (o Tiago Rola continua com azar nos problemas mecânicos, desta vez foi o desviador da frente que partiu) e com o Rui Pena e o Eurico Coelho da AASM.

Natação (750m)



Esta era a minha estreia em triatlos no mar mas quando olhei para o sítio onde íamos fazer a prova, percebi que de mar era só a água salgada, já que as ondas estavam todas em Supertubos. No entanto, a primeira boia parecia bastante longe e do pontão onde estava o público não se conseguia ver a totalidade do percurso o que dificultou a orientação.
Dentro de água percebi que existia uma certa corrente perpendicular ao troço até à primeira boia mas que estaria de frente no troço final, podendo complicar as coisas.
Soou a buzina de partida e a confusão habitual. Engulo mais uma vez pirolitos e desta vez de água salgada, o que me deixou com impressão na garganta até ao final do ciclismo. Pelo meio muita porrada mas consigo manter uma boa orientação até à primeira bóia. Muitos socos, patadas e cotoveladas pelo meio, mas nada fora do comum, todos eles resultavam do movimento de natação e não por capricho dos participantes.
O pior foi quando dobro a primeira boia. Primeiro, uma série de triatletas atiram-se por cima de mim para a agarrar enquanto eu vou a contorná-la a nado. Por fim, o meu colega de trás agarra-se à minha cintura com as duas mãos empurrando-me para o fundo. Estive quase a responder ao soco e ao pontapé, mas disse-lhe aquilo que uma pessoa geralmente diz a quem o tenta afogar, apesar de nem sequer o ver no meio da confusão. Um abraço (igual ao que me deu) para ele, desde já.
Da primeira para a segunda foi o meu melhor troço, um bocadinho menos confusão e corrente a favor. O pior foi o troço seguinte, que era contra a corrente e em que a confusão não desvanecia. Comecei aí a sentir que o tempo não seria grande coisa. Para finalizar a saída da água era por uma escada de pedra, mas desta vez nada de tonturas. Acabei por fazer 16:02, ou seja, mais 26 segundos que em Coimbra.
A corrente explica alguma coisa, mesmo os melhores demoraram mais cerca de 30 segundos que em coimbra, mas quando vi que o mar não era bravo pensei fazer bem melhor (nas séries na piscina fiz sempre 100m entre os 1:25 e os 1:30). Apesar disso, saí à frente de atletas que costumavam ganhar-me, o que não era mau de todo.

Ciclismo (21,7 km)



Ainda antes do ciclismo tenho que falar na transição. Desta vez estava cronometrada e eu fiz 1:36, o que será demasiado. Na próxima prova já terei sapatilhas de ciclismo com velcro a apertar e espero tirar pelo menos 30 segundos a este tempo. Não posso demorar tanto.
Quanto à prova de ciclismo, penso que foi a melhor de sempre. Pelo menos aquela em que eu me senti melhor e onde me diverti mais. Este ano senti que o meu ciclismo não estava grande coisa, até porque este muito mau tempo no Inverno, e que os progressos nas outras modalidades eram bem speriores aos registados em cima da bicicleta.
Talvez por não ter forçado na natação, estava com bastante energia e vendo um grupo formar-se mais à frente, puxei logo bastante à saída para colar no grupo onde estava, entre outros o Rui Pena, e duas triatletas femininas que pareciam estar em competição entre si. Encostei no grupo e a minha primeira reacção foi descansar, mas estava bastante atento ao que se passava.
Pouco depois, quando chegámos ao entroncamento junto ao mar senti a velocidade a reduzir e menos oportunidades para chegar ao grupo da frente. Fui para a frente do grupo e só parei de puxar quando encostei aos da frente, contando em momentos com ajuda de alguns colegas. Quando olhei para trás vi que o grupo tinha sido desmembrado, o que me deu ainda uma maior sensação de força.
Nas voltas seguintes a história foi mais ou menos parecida. Andei a saltar de grupo em grupo, encostando sempre aos da frente e deixando muitos para trás. No final acabamos por ser apenas 2, até que voltamos ao paralelo e levantei o pé para não me arriscar a uma queda (o percurso era algo sinuoso no regresso ao parque de transição). No final 41:15 (31,56 km/h de média) o que não é mau, tendo em conta que fui grande parte do tempo a puxar, estava algum vento e o percurso tinha muitos altos e baixos.

Corrida (4,8 km)
A última transição não me correu nada bem. Em primeiro lugar não consegui desapertar as sapatilhas em cima da bicicleta, depois tive de correr com elas até ao final do parque de transição e perdi demasiado tempo a desapertá-las e a trocar pelas de corrida. Foram 1:06, pelo que nas duas transições demorei 2:42, ou seja, muitíssimo tempo.
Talvez devido ao demasiado empenho na prova de ciclismo, na corrida acabei por sentir alguma fadiga muscular logo a seguir à transição. Nada de cãibras mas estava algo preso. Fui-me sentindo algo melhor, mas parecia que podia dar mais mas já não tinha força.
Esta corrida fez-se num percurso urbano, com algum sobe e desce mas com muito público que nos dava muita força. Tinha apontado para fazer 6 minutos por volta, mas vi logo que estava a fazer mais meio minuto de cada vez.
Quando cheguei ao fim, senti-me algo desapontado com a minha corrida, mas quando depois fui ver o tempo descobri que não tinha sido mau de todo (19:54, ou seja 4m09s por quilómetro).

Resultado Final
Não fiz melhor que em Coimbra em termos de tempo (1:19:55 contra 1:19:10) mas as condições eram muito diferentes. Quase todos os atletas demoraram mais e, tendo em conta que o número de participantes era o mesmo, o 151º lugar é muito melhor que o 174º de Coimbra. Não foi uma melhoria em termos de tempo, mas aproximei-me bastante do meio da tabela (à partida eram 280 triatletas), o que ainda é melhor já que nesta prova todos os atletas eram federados (e em Coimbra havia muita gente que não era federada).
Quanto ao mais antigo triatlo do país, só podia ser espectacular. Confesso que não gostei muito do percurso de natação, mas o ciclismo tinha uma paisagem fantástica e o atletismo era no centro histórico o que dava imenso prazer. O público, já habituado a estas provas, foi o melhor de todos.
Para terminar, o melhor do o fim-de-semana: visitei as Berlengas pela primeira vez e fiquei estarrecido com a beleza do local. Vale mesmo a pena visitar e aproveitar para nadar um pouco por entre os peixes.