quarta-feira, 9 de novembro de 2011

I Maratona do Porto (Antes da Maratona)

Sendo uma prova especial, vou dividir o relato da minha primeira Maratona em 4 posts. Neste primeiro vou falar do antes da prova, no seguinte vou falar do que senti durante, num terceiro analisarei os tempos parciais e, por fim, vou falar no pós-Maratona.

Pois bem, vou recuar a 1984 e contar tudo o que se passou desde então até à Maratona. Pronto, estava a brincar. Vou recuar a 1984 mas já volto a 2011, não se preocupem. Uma das recordações mais antigas que tenho (na altura tinha 3 anos) é esta:



Excluo, obviamente o Sportinguismo, porque na altura já sabia qual o clube de futebol que me poderia dar mais alegrias ao longo da minha vida.

Foi aqui que comecei a gostar de desporto, de todos os desportos. E o sentimento foi crescendo com o México 86, Viena 87, Seul e Tóquio 88, Itália 90, Tóquio 91,Barcelona 92 (sobretudo estes), e por aí adiante até Dublin 2011.

Apesar de ter sido algo muito importante, nunca foi propriamente um objectivo. Nunca parei para pensar se um dia a iria fazer. Já houve alturas em que achei impossível (na minha primeira meia (Lisboa 2005), por exemplo) mas com o passar do tempo passou a ser algo realizável com algum treino específico.
Este era o ano ideal para experimentar. Uma época que terminou bem e onde me adaptei finalmente ao esforço  de provas mais longas como os triatlos olímpicos. Tinha, também, mais de um mês para preparar, depois do fim da época de triatlo em Lisboa e com o cancelamento do Triatlo de Tróia.

O único senão era a ausência de Meias nesta época. Com a minha dedicação total aos triatlos, acabou por não haver oportunidade para nenhuma. De qualquer forma, já tinha feito 4 em anos anteriores, duas em Lisboa e duas no Porto, por isso não era propriamente inexperiente nessa distância.

Mas quanto à Maratona não podia dizer o mesmo. A maior distância que tinha percorrido a correr tinha mesmo sido em meias, por isso não sabia como reagiria o meu corpo a esforços maiores. Tinha, no entanto experiência de provas longas: Triatlos Olímpicos que quase duraram 3 horas e Provas de Ciclismo na época de 1999. Fiz igualmente muitos treinos de bicicleta acima das 3:30 nos últimos anos, por isso, a novidade estava mais na corrida e nos impactos do que propriamente na duração.

Fiz então um treino de 30km quinze dias antes que me deu alguma confiança para a Maratona. Tudo OK e a sensação que ainda tinha fôlego para mais 12,195 km. Foram 2:58:23 neste percurso:



E então quais seriam os objectivos? Em primeiro lugar muito respeitinho. Não era uma prova qualquer, era a Maratona. E apesar de tudo correr quase sempre bem, há histórias assustadoras, a começar pela Lenda de Fidípedes que deu origem à própria maratona. Por isso, a ordem de objectivos seria esta:
  • Acabar;
  • Acabar;
  • Acabar;
  • Acabar sem andar a passo;
  • Acabar e conseguir conduzir o carro até casa;
  • Fazer menos de 4 horas.
A semana anterior, além de ser uma semana de repouso activo foi uma semana de estudo. Para isso, consultei os maratonistas mais próximos que me deram dicas muito importantes: Mark Velhote, Miguel Paiva e Rui Pena.

Depois, também me dediquei à consulta de sites e blogues. A minha ajuda online mais preciosa foi sem dúvida o Correr Por Prazer, sobretudo no que diz respeito à preparação final e à nutrição nas últimas 72 horas. Também achei interessante o site da metodologia Marco, não para calcular tempos (demasiado ambicioso), mas para melhor gestão do ritmo cardíaco. A estratégia era começar a 75% da pulsação máxima e ir subindo gradualmente acabando a 91%.

Para finalizar, só falta o equipamento. Regra número um: Não estrear nada. Isto porque na minha primeira meia-maratona estreei uns calções comprados na véspera e acabei por ficar todo assado. Durante uma semana andei ao estilo Velho Oeste, como se tivesse andado a cavalo durante 25 horas por dia durante 84 anos.

O principal problema estava no gel. Por sugestão do Miguel Paiva decidi levar 4 embalagens, uma para cada 10km. O problema estava onde levar. Os cintos para maratonistas não me pareceram grande solução, estavam mais virados para líquidos e as vitalis oferecidas pela organização eram suficientes. Não encontrei nenhuns calções com bolsos até à véspera (comprei uns na Decathlon) e restava uma camisola com bolsos (teoricamente para ciclismo) ou o meu antigo fato de triatlo. Como as saquetas andavam aos saltos na tal camisola levei o fato de triatlo. Tinh o inconveniente da protecção entre as pernas para a bicicleta, mas era a melhor solução para levar saquetas e chave do carro sem problemas. Como estava frio, levei igualmente umas mangas de ciclismo.

Agora só faltava partir.

1 comentário:

Mark Velhote disse...

Viva Miguel,

Muito bom para aguçar o apetite para o relato a sério!
Correr a Maratona não custa nada, o que custa mesmo é treinar para ela.

Não arranjavass um "bideo" do Lopes sem referência ao Zeportem?? LOL

Abraço