segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

16ª São Silvestre do Porto




A São Silvestre do Porto deste ano foi uma prova para esquecer. É certo que apenas participei nesta prova para treinar, mas existia a possibilidade de bater o meu recorde (46:42 em 2004) e foi com esse semi-objectivo que parti para a prova. Por outro lado sempre adorei esta prova, correr à noite é, para mim, sempre um prazer.

Como o tempo não estava grande coisa, apenas saí de casa por volta das 17h. Meia hora para ir nas calmas e estacionar, meia hora para ir buscar o dorsal e pô-lo na camisola e meia hora para aquecer, parecia-me minimamente aceitável. Não fui antes porque não fazia sentido, pelo menos para mim, ficar muito tempo ao frio e à chuva parado, até porque já tive como recordações desta prova valentes constipações. Aliás, esta metodologia das 3 meias horas veio sendo utilizada por mim nos últimos anos sem qualquer problema.

Tudo corria bem até chegar ao gabinete do munícipe às 17h36 (tive preocupação em olhar para o relógio nessa hora) onde vi que se formava uma pequena multidão em fúria e um segurança que não deixava entrar ninguém. Ninguém mais podia levantar os dorsais e ninguém mais levantou. De facto, estava escrito numa folha A4 à entrada do gabinete que a entrega de dorsais fechava às 17h30. Também estava isso escrito na página da internet e nas folhas de inscrição da sportzone.

Em primeiro lugar, o facto de eu não ter podido levantar o dorsal é minha culpa e já aprendi que para a próxima devo ter mais cuidado com estas coisas. Permitam-me, no entanto, fazer algumas críticas à forma como isto se processou:

1. Como se pode constatar , pelo menos em 2007 (este foi o único ano em que consegui o arquivo das páginas da prova) podia-se levantar os dorsais até 30 minutos antes do início da prova, por isso é normal que muita gente que já foi à prova noutros anos nem sequer olhasse para as horas de entrega dos dorsais. Criou-se uma rotina e seguiu-se essa rotina.

2. A irredutibilidade da organização não me pareceu a mais adequada. Pôr um segurança a impedir a entrada de atletas que apenas estavam 5 minutos depois da hora e quando ainda havia outros atletas a sair com dorsais não me parece muito simpático. Ainda para mais porque vi pessoas de longe (um grupo de atletas de Viseu, por exemplo) que já tinham pago a inscrição, tal como eu e que fizeram a viagem para nada.

3. Numa altura em que a tecnologia permite ter chips nos dorsais e que funciona tudo tão bem, não percebo porque fecham a entrega destes tão cedo. Estar, no mínimo, uma hora à chuva e ao frio antes de começar a prova não faz qualquer sentido. Muito menos faz sentido antecipar a hora de fecho de uns anos para os outros. Se antes se podia levantar até às 18h, porque mudaram para as 17h30 e se mantiveram irredutíveis para quem chegou às 17h35? E já que fecham mais cedo porque não permitem levantar no dia anterior?

Na altura disseram-nos para correr na mesma, que ninguém nos impedia. Cheguei a pensar ir embora, mas como já tinha planeado um treino deixei-me ficar. Pensei também em depois ir a Santo Tirso ou a Ermesinde e bater lá o recorde (hipótese que continua de pé), mas também pensei em deixar de ir a provas de atletismo e dedicar-me apenas ao triatlo. Não sei, vou pensar um pouco mais e depois decido-me. Certo é que mudei a minha opinião sobre a organização desta prova.

Fiz o meu aquecimento, onde encontrei o Mark Velhote e partilhamos alguns minutos de conversa mas, e como não tinha dorsal, não permitiram a minha entrada na corrida. Teria que aguardar pela partida e depois deixavam-me passar as barreiras. Por fim, às 18h29, com a mesma multidão que estava junto ao Gabinete do Munícipe, lá nos deixaram entrar para o final do pelotão e começar a corrida junto às pessoas que iriam fazer a caminhada.

Demorei 1m11s a chegar à partida e só em Sá da Bandeira consegui atingir a velocidade cruzeiro. Foram alguns minutos perdidos e tive que puxar muito por mim para atingir a marca que eu queria.

Por um lado, partir em último e ultrapassar centenas de corredores dava alguma moral, mas o esforço elevado da primeira volta transformou-se em algum cansaço na segunda volta. Acabei em 48m00s, o que, caso tivesse dorsal dar-me-ia o 709º lugar em 1869 participantes.

Posso não ter batido o recorde, mas ultrapassei mais de 1000 atletas, o que não é mau de todo. Consegui tirar 8 minutos ao tempo do ano passado e mais de 5 minutos ao tempo de há dois anos, mas soube a pouco. Em condições normais teria feito um tempo na ordem dos 45 minutos e fiquei sem esse recorde.

Já agora, em 2004 estávamos com obras nos Aliados, alguém sabe se o percurso era mais curto? O meu tempo nesse ano ainda é um mistério.

5 comentários:

MPaiva disse...

Miguel,

Lamento o que te aconteceu e espero que, em futuras situações, estas coisas não voltem a acontecer.

Um forte abraço e votos de boas entradas em 2010 do
MPaiva

Carlos Lopes disse...

Parabéns pela prova

Mark Velhote disse...

Olá Miguel,

Pelas razões que referes também concordaria que até 30 minutos era perfeitamente razoável.
Lamentável é o facto de aconselharem as pessoas a correr sem dorsal. Pode ser que muitas pessoas sigam esse exemplo e lhes saia do bolso.

Parabéns pela prova de quaquer forma.O que conta é o nosso relógio como digo sempre.

Abraço e Bons treinos

Mark

PS:Desculpa a minha falta de "solidariedade" e não ter aguardado contigo do lado de fora.

Maria Sem Frio Nem Casa disse...

Eu devo de ter sido um dos atletas que passaste... (parti na cauda da corrida e fiz 58 m)

Lamento o episódio, embora estivesse de acordo com o estipulado no regulamento e ser da responsabilidade do atleta tomar conhecimento desse mesmo regulamento e aceitá-lo (ou não), mas de qualquer forma o factor humano tem (devia de) estar sempre presente. A tolerância, a simpatia, etc... são items que não estão escritos nos regulamentos e o factor humano se pode melhorar muita coisa, também pode falhar como as notas de 500 e ... e neste caso parece que se ficou pela última hipótese...

Até um dia destes
Ana Pereira

MT disse...

Uma resposta a todos:

Obrigado a todos pelo apoio!


MPaiva:

Um abraço e tudo de bom para 2010.

Mark:

Tens razão. Qualquer pessoa podia ter feito a corrida sem paar e ainda recebia a camisola no final.
Não fazia sentido ficares à minha espera. Se não fosses por vontade própria eu empurrava-se para a lá para dentro ;)

Ana:

Sim, tal como disse, a culpa foi minha, mas um pouco de educação e bom-senso podiam ter evitado uma tarde estragada para dezenas de pessoas.